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Dom Luiz Gonzaga Fechio assina carta de bispos católicos que alerta para riscos à democracia e à soberania nacional

Documento divulgado em 22 de outubro reúne bispos de diferentes regiões do Brasil e apresenta críticas a propostas associadas a uma das candidaturas à Presidência da República

O bispo da Diocese de Amparo (SP), Dom Luiz Gonzaga Fechio, está entre os signatários de uma carta aberta divulgada em 22 de outubro por bispos católicos de diferentes regiões do Brasil. Intitulado “Carta de bispos católicos ao povo de Deus diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026”, o documento aborda o cenário eleitoral brasileiro e manifesta preocupação com questões relacionadas à democracia, à soberania nacional, aos direitos dos trabalhadores e à preservação ambiental.

O manifesto apresenta críticas a propostas e posicionamentos atribuídos à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), apontando possíveis divergências em relação aos princípios da Doutrina Social da Igreja Católica.

Direitos trabalhistas e questões sociais

Entre os temas abordados está a escala de trabalho 6×1. Os bispos questionam o posicionamento atribuído ao candidato sobre o fim desse modelo e a proposta de remuneração por hora trabalhada. Segundo os signatários, a dignidade dos trabalhadores deve ser considerada nas decisões econômicas e nas mudanças nas relações de trabalho.

A carta também critica a possibilidade de ampliar o acesso às armas de fogo e apresenta preocupações com as políticas ambientais. Os religiosos afirmam que o enfrentamento da crise climática e a proteção da chamada “Casa Comum” devem integrar as prioridades da sociedade e dos governantes.

Outro ponto destacado é o combate à pobreza. O documento questiona posicionamentos historicamente atribuídos ao partido do candidato em relação aos programas sociais e defende a atenção às populações mais vulneráveis, em consonância com a opção preferencial pelos pobres, princípio presente no ensinamento social da Igreja.

Soberania nacional e defesa da democracia

Na área das relações internacionais, os bispos manifestam preocupação com o que consideram riscos à autonomia brasileira diante dos Estados Unidos. A carta questiona propostas relacionadas aos interesses estrangeiros na exploração de terras raras e aborda declarações e posicionamentos que, na avaliação dos signatários, podem comprometer a soberania nacional.

A defesa da democracia também ocupa espaço central no documento. Os religiosos citam declarações que, segundo sua interpretação, representam ameaças à ordem constitucional. O texto ainda menciona homenagens feitas por integrantes da família Bolsonaro ao coronel Brilhante Ustra, reconhecido pela atuação como torturador durante a ditadura militar brasileira.

As avaliações e críticas apresentadas integram o posicionamento dos próprios signatários e são fundamentadas, segundo eles, nos princípios do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.

Referência aos ensinamentos da Igreja

Ao abordar a candidatura adversária, os bispos reconhecem que ela também está sujeita a críticas. Entretanto, o documento destaca o que os signatários consideram compromissos com a população mais pobre, a preservação ambiental e o respeito à Constituição e às instituições democráticas.

A carta procura orientar a reflexão dos fiéis a partir de princípios religiosos e sociais, relacionando a participação política à responsabilidade com o bem comum.

Participação dos católicos nas eleições

Ao final do manifesto, os bispos convocam os católicos a participar do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo, 25 de outubro. O documento defende o exercício do voto em consonância com os valores humanitários, a defesa da democracia e os ensinamentos da Igreja.

Dom Luiz Gonzaga Fechio, ao assinar a carta, passa a integrar o grupo de religiosos que tornou público esse posicionamento diante do cenário eleitoral de 2026.

É importante destacar que a manifestação representa a posição dos bispos que assinam o documento e não deve ser interpretada, automaticamente, como um pronunciamento oficial de toda a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Fonte: Carta de bispos católicos ao povo de Deus diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, divulgada em 22 de outubro

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