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Último debate presidencial tem acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro; checagem identifica informações falsas e distorcidas

Confronto na TV Globo, na sexta-feira (23), abordou economia, segurança pública e políticas sociais. Verificações apontaram erros e informações fora de contexto nas declarações dos dois candidatos. – Por Paulo Hoinaski (Jornalista)

O último debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), antes do segundo turno das eleições presidenciais, foi realizado na noite de sexta-feira (23), na TV Globo. O encontro começou com discussões sobre propostas de governo, mas terminou com uma sequência de acusações e ataques pessoais, segundo relatos da cobertura jornalística.

Além do confronto político, as declarações dos candidatos passaram por verificações de agências e veículos de imprensa. As checagens publicadas neste sábado (24) identificaram afirmações falsas, exageradas ou apresentadas sem o contexto necessário, envolvendo temas como economia, segurança pública, inflação, obras públicas e políticas sociais.

O que foi verificado nas falas de Flávio Bolsonaro?

Entre as declarações analisadas pelo UOL Confere está a afirmação de que o governo federal teria mais de 11,5 mil obras paralisadas. Segundo a checagem, o painel do Tribunal de Contas da União (TCU), atualizado em julho de 2026, registrava 4.215 obras paradas. O número citado pelo candidato correspondia a um levantamento anterior, divulgado em 2025.

Outro ponto foi a associação feita por Flávio entre Lula e a frase de que pessoas que cometem furtos roubariam para comprar cerveja. O UOL classificou a afirmação como falsa: a fala original do presidente mencionava torcedores de futebol rivais que poderiam se encontrar para tomar cerveja depois de uma partida, e não pessoas que praticam crimes.

A checagem também contestou a afirmação de que a redução do tamanho de embalagens de produtos, prática conhecida como reduflação, seria um fenômeno iniciado no atual governo. Reportagens anteriores, inclusive de 2021, já registravam mudanças nas quantidades comercializadas.

Declarações de Lula também foram questionadas

As verificações não se limitaram ao candidato do PL. Declarações de Lula também foram examinadas e receberam apontamentos por imprecisão ou falta de contexto.

Uma das afirmações analisadas pela Agência Lupa foi a de que o Brasil teria eliminado a fome em 2012. Segundo a checagem publicada pela Folha de S.Paulo, a Organização das Nações Unidas retirou o Brasil do Mapa da Fome em 2014, o que não significa que a fome tenha sido totalmente eliminada no país.

Outro tema foi o crescimento econômico. Lula afirmou que, depois de deixar a Presidência em 2010, o Brasil só voltou a crescer acima de 3% quando ele retornou ao cargo. A checagem apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,9% em 2011 e 3% em 2013, durante o governo de Dilma Rousseff (PT).

Esses exemplos mostram que declarações de campanha precisam ser avaliadas considerando os dados disponíveis, o período mencionado e o contexto em que foram feitas.

Checagem de fatos ajuda o eleitor a avaliar as propostas

Segundo levantamento da Agência Lupa citado pela Folha de S.Paulo, 35 afirmações feitas durante o debate foram analisadas: 20 foram consideradas falsas, exageradas ou fora de contexto, enquanto 11 foram classificadas como verdadeiras. As demais não foram incluídas nessas duas categorias no balanço divulgado. A agência informou que continuaria verificando outras declarações.

O resultado não deve ser interpretado como uma disputa numérica para determinar qual candidato mentiu mais. Cada declaração exige uma análise própria, considerando a fonte original, os dados oficiais e as informações necessárias para compreender o assunto.

Informação confiável é essencial na decisão do voto

O debate foi a última oportunidade de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na televisão antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Para os eleitores, consultar as checagens e comparar as propostas com dados oficiais é uma forma de avaliar as declarações feitas durante a campanha.

Em períodos eleitorais, afirmações recortadas, números desatualizados e informações sem contexto podem influenciar a compreensão dos fatos. Por isso, a verificação independente é parte importante do trabalho jornalístico e contribui para que a população tenha acesso a informações mais precisas.

O Coração das Instâncias reforça a importância de conferir as fontes, consultar os dados e analisar as declarações de todos os candidatos com o mesmo rigor, sem confundir acusações políticas com fatos comprovados.

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